KwikPen: a caneta multidoses do Mounjaro

Uma só caneta para o mês inteiro? Veja como funciona a KwikPen, a nova caneta multidose do Mounjaro.

clinician image

Aprovado por:

Time de Saúde Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 08/06/2026
Tempo de leitura: 7 minutos
Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

Em 18 de março de 2026, a Anvisa aprovou a KwikPen, a versão multidose do Mounjaro. A novidade muda a rotina de quem já faz o tratamento com tirzepatida: em vez de quatro canetas descartáveis por mês, uma só serve para o mês inteiro.

O medicamento dentro é exatamente o mesmo. A tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro, não foi alterada; o que mudou é o dispositivo de aplicação, que agora concentra as quatro doses mensais em uma única caneta multidose.

Para entender por que essa mudança de formato importa, e por que o protocolo de escalonamento de doses segue o mesmo, vale relembrar como o tratamento funciona.

Como o Mounjaro age no corpo

O Mounjaro tem como base a tirzepatida, uma molécula desenvolvida para agir em dois hormônios ao mesmo tempo: o GLP-1 e o GIP. Esses hormônios são produzidos pelo intestino após as refeições e têm papel importante no controle da glicemia, na sensação de saciedade e na forma como o organismo usa a energia.

A maioria dos medicamentos da mesma classe atua só no GLP-1. A tirzepatida ativa os dois receptores simultaneamente, o que potencializa os efeitos de forma que nenhum dos dois hormônios conseguiria sozinho. Essa ação dupla é chamada pelos especialistas de "twincretina".

Nos estudos clínicos da série SURMOUNT, os resultados chegaram a uma perda média de até 22,5% do peso corporal em 72 semanas, na dose máxima. Para colocar em perspectiva, o SURMOUNT-5, estudo que comparou diretamente tirzepatida e semaglutida em pessoas com obesidade sem diabetes, mostrou perda média de 20,2% com tirzepatida versus 13,7% com semaglutida no mesmo período.

Por que as doses começam baixas e sobem aos poucos

A tirzepatida é um medicamento potente, e o organismo precisa de tempo para se adaptar. Náuseas, diarreia e constipação são efeitos comuns especialmente no início do tratamento e nas semanas que seguem cada ajuste de dose. Começar com doses menores e subir gradualmente reduz esses desconfortos e aumenta as chances de manter o tratamento.

O protocolo começa em 2,5 mg por semana e prevê aumentos a cada quatro semanas. Esse ritmo não é burocracia; é o que os ensaios clínicos mostraram funcionar melhor em termos de tolerabilidade sem comprometer os resultados.

Uma dúvida frequente é se acelerar o escalonamento emagrece mais rápido. A resposta, com base no SURMOUNT-1, é não. Os resultados finais entre quem seguiu o protocolo e quem tentou acelerar foram semelhantes, mas o caminho acelerado trouxe muito mais náusea, vômitos e risco de abandono precoce do tratamento. Desistir antes do tempo é o maior obstáculo para os resultados.

A dose mais alta nem sempre é a melhor

Outro equívoco comum é achar que a dose máxima é automaticamente a dose certa. No SURMOUNT-1, a diferença na perda de peso entre as duas doses mais altas testadas foi menor que dois pontos percentuais. Muitos pacientes atingem resultados expressivos com doses intermediárias e com muito mais conforto ao longo do processo.

A dose ideal é a maior dose que o paciente tolera bem, não necessariamente a mais alta disponível. Esse ajuste é feito pelo médico, com base no histórico de saúde, nos sintomas relatados e na evolução do tratamento.

E o ajuste não é só para cima: se os efeitos colaterais forem intensos e persistentes, recuar para a dose anterior é uma estratégia clinicamente válida. O tratamento não segue uma linha reta, e respeitar o ritmo do organismo faz parte do processo.

A nova caneta KwikPen

imagem com as doses da caneta multidose mounjaro

A KwikPen reúne as quatro doses mensais em um único dispositivo. Está aprovada nas seis concentrações disponíveis do Mounjaro, de 2,5 mg a 15 mg, com validade de 24 meses. O princípio ativo é exatamente o mesmo das canetas individuais; o que muda é a praticidade.

A data de chegada às farmácias ainda não foi divulgada pela Eli Lilly Brasil. Vale acompanhar os comunicados da empresa e conversar com o médico sobre o momento de migrar para a nova apresentação assim que ela estiver disponível.

Quer saber se o tratamento tem indicação para o seu caso?
Na Voy, você tem acesso a avaliação médica 100% online.

Efeitos colaterais mais comuns

Como o medicamento é o mesmo, os efeitos colaterais do Mounjaro também não mudam com a nova caneta. Os mais frequentes acontecem no início do uso e nas fases de aumento de dose, quando o organismo ainda está se adaptando, e são principalmente digestivos:

  • Náusea, que é o efeito mais comum.
  • Diarreia ou constipação.
  • Vômitos.
  • Dor ou desconforto abdominal.
  • Alterações no paladar, como menor interesse por alimentos muito doces ou gordurosos.

Esses sintomas costumam ser temporários. Nos estudos clínicos, a taxa de interrupção do tratamento por efeitos adversos foi de cerca de 6,6%, o que é considerado baixo para um medicamento desta classe.

Manter boa hidratação, cuidar da alimentação e manter contato frequente com o médico faz muita diferença nessa fase. Dor abdominal persistente, sinais de reação alérgica ou hipoglicemia pedem avaliação médica imediata.

Quem pode usar o Mounjaro no Brasil

O uso do Mounjaro é indicado para dois perfis clínicos, e a avaliação médica é obrigatória em ambos os casos:

  • Obesidade: IMC igual ou maior que 30 kg/m².
  • Sobrepeso com comorbidade: IMC igual ou maior que 27 kg/m² associado a hipertensão, colesterol alto, pré-diabetes, apneia do sono ou outra condição relacionada ao excesso de peso.

O tratamento deve ser combinado com mudanças alimentares e aumento da atividade física. O Mounjaro potencializa esses efeitos, mas não os substitui.

Contraindicações importantes

Sendo a bula, o Mounjaro não é indicado para:

  • Pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2), condição genética que afeta glândulas endócrinas.
  • Em pessoas que já tiverem pancreatite é necessário cautela e avaliação médica.
  • O uso não é recomendado durante a gestação ou a amamentação. Desde junho de 2025, a compra exige receita médica com retenção na farmácia.

O que lembrar

  • A KwikPen é a versão multidose do Mounjaro aprovada pela Anvisa em 18 de março de 2026: uma caneta para o mês inteiro, com a mesma tirzepatida e a mesma eficácia das canetas individuais.
  • A data de chegada às farmácias ainda não foi divulgada pela Eli Lilly Brasil.
  • O escalonamento gradual de doses a cada quatro semanas não é excesso de cautela: é o que o SURMOUNT-1 mostrou reduzir efeitos colaterais e aumentar adesão ao tratamento.
  • A dose mais alta não é automaticamente a melhor. A dose ideal é a maior dose tolerada com conforto, e quem define isso é o médico.
  • Náuseas e desconforto digestivo são os efeitos mais comuns, especialmente no início e nas mudanças de dose. A taxa de abandono por efeitos adversos nos ensaios foi de cerca de 6,6%.
  • O Mounjaro não funciona isolado: alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico são parte essencial do tratamento.
Voy Saúde
A Voy é uma plataforma de saúde que faz a gestão de toda a jornada de emagrecimento, conectando pacientes a nutricionistas, endocrinologistas e dando todo suporte na aquisição e manutenção dos tratamentos adequados, de forma segura e prática, 100% online e com suporte de saúde ilimitado.

Perguntas Frequentes

Referências
icon¹

Jastreboff AM et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. New England Journal of Medicine, 2022. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2206038

icon²

Jastreboff AM et al. SURMOUNT-5: Tirzepatide vs. Semaglutide for Obesity. New England Journal of Medicine, 2025. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2507519

icon³

ANVISA. Resolução-RE nº 1.041: Registro do Mounjaro Multidose. Diário Oficial da União, 18 mar. 2026. https://www.in.gov.br/

icon

Agência Brasil. ANVISA aprova uso do medicamento Mounjaro para perda de peso. Jun. 2025. https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-06/anvisa-aprova-uso-do-medicamento-mounjaro-para-perda-de-peso

icon

Silva JR, Lima PA, Andrade CS. Avaliação do efeito da tirzepatida na perda de peso: revisão sistemática. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, 2025. https://www.rbone.com.br/index.php/rbone/article/view/2782

icon

ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica). Diretrizes para Tratamento Farmacológico da Obesidade, 2023/2025. https://abeso.org.br/diretrizes/

icon

NSC Total. Mounjaro multidose: veja as 6 dosagens aprovadas para venda no país. Mar. 2026. https://www.nsctotal.com.br/noticias/mounjaro-multidose-veja-as-6-dosagens-aprovadas-para-venda-no-pais