
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
Em 18 de março de 2026, a Anvisa aprovou a KwikPen, a versão multidose do Mounjaro. A novidade muda a rotina de quem já faz o tratamento com tirzepatida: em vez de quatro canetas descartáveis por mês, uma só serve para o mês inteiro.
O medicamento dentro é exatamente o mesmo. A tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro, não foi alterada; o que mudou é o dispositivo de aplicação, que agora concentra as quatro doses mensais em uma única caneta multidose.
Para entender por que essa mudança de formato importa, e por que o protocolo de escalonamento de doses segue o mesmo, vale relembrar como o tratamento funciona.
Como o Mounjaro age no corpo
O Mounjaro tem como base a tirzepatida, uma molécula desenvolvida para agir em dois hormônios ao mesmo tempo: o GLP-1 e o GIP. Esses hormônios são produzidos pelo intestino após as refeições e têm papel importante no controle da glicemia, na sensação de saciedade e na forma como o organismo usa a energia.
A maioria dos medicamentos da mesma classe atua só no GLP-1. A tirzepatida ativa os dois receptores simultaneamente, o que potencializa os efeitos de forma que nenhum dos dois hormônios conseguiria sozinho. Essa ação dupla é chamada pelos especialistas de "twincretina".
Nos estudos clínicos da série SURMOUNT, os resultados chegaram a uma perda média de até 22,5% do peso corporal em 72 semanas, na dose máxima. Para colocar em perspectiva, o SURMOUNT-5, estudo que comparou diretamente tirzepatida e semaglutida em pessoas com obesidade sem diabetes, mostrou perda média de 20,2% com tirzepatida versus 13,7% com semaglutida no mesmo período.
Por que as doses começam baixas e sobem aos poucos
A tirzepatida é um medicamento potente, e o organismo precisa de tempo para se adaptar. Náuseas, diarreia e constipação são efeitos comuns especialmente no início do tratamento e nas semanas que seguem cada ajuste de dose. Começar com doses menores e subir gradualmente reduz esses desconfortos e aumenta as chances de manter o tratamento.
O protocolo começa em 2,5 mg por semana e prevê aumentos a cada quatro semanas. Esse ritmo não é burocracia; é o que os ensaios clínicos mostraram funcionar melhor em termos de tolerabilidade sem comprometer os resultados.
Uma dúvida frequente é se acelerar o escalonamento emagrece mais rápido. A resposta, com base no SURMOUNT-1, é não. Os resultados finais entre quem seguiu o protocolo e quem tentou acelerar foram semelhantes, mas o caminho acelerado trouxe muito mais náusea, vômitos e risco de abandono precoce do tratamento. Desistir antes do tempo é o maior obstáculo para os resultados.
A dose mais alta nem sempre é a melhor
Outro equívoco comum é achar que a dose máxima é automaticamente a dose certa. No SURMOUNT-1, a diferença na perda de peso entre as duas doses mais altas testadas foi menor que dois pontos percentuais. Muitos pacientes atingem resultados expressivos com doses intermediárias e com muito mais conforto ao longo do processo.
A dose ideal é a maior dose que o paciente tolera bem, não necessariamente a mais alta disponível. Esse ajuste é feito pelo médico, com base no histórico de saúde, nos sintomas relatados e na evolução do tratamento.
E o ajuste não é só para cima: se os efeitos colaterais forem intensos e persistentes, recuar para a dose anterior é uma estratégia clinicamente válida. O tratamento não segue uma linha reta, e respeitar o ritmo do organismo faz parte do processo.
A nova caneta KwikPen

A KwikPen reúne as quatro doses mensais em um único dispositivo. Está aprovada nas seis concentrações disponíveis do Mounjaro, de 2,5 mg a 15 mg, com validade de 24 meses. O princípio ativo é exatamente o mesmo das canetas individuais; o que muda é a praticidade.
A data de chegada às farmácias ainda não foi divulgada pela Eli Lilly Brasil. Vale acompanhar os comunicados da empresa e conversar com o médico sobre o momento de migrar para a nova apresentação assim que ela estiver disponível.
Efeitos colaterais mais comuns
Como o medicamento é o mesmo, os efeitos colaterais do Mounjaro também não mudam com a nova caneta. Os mais frequentes acontecem no início do uso e nas fases de aumento de dose, quando o organismo ainda está se adaptando, e são principalmente digestivos:
- Náusea, que é o efeito mais comum.
- Diarreia ou constipação.
- Vômitos.
- Dor ou desconforto abdominal.
- Alterações no paladar, como menor interesse por alimentos muito doces ou gordurosos.
Esses sintomas costumam ser temporários. Nos estudos clínicos, a taxa de interrupção do tratamento por efeitos adversos foi de cerca de 6,6%, o que é considerado baixo para um medicamento desta classe.
Manter boa hidratação, cuidar da alimentação e manter contato frequente com o médico faz muita diferença nessa fase. Dor abdominal persistente, sinais de reação alérgica ou hipoglicemia pedem avaliação médica imediata.
Quem pode usar o Mounjaro no Brasil
O uso do Mounjaro é indicado para dois perfis clínicos, e a avaliação médica é obrigatória em ambos os casos:
- Obesidade: IMC igual ou maior que 30 kg/m².
- Sobrepeso com comorbidade: IMC igual ou maior que 27 kg/m² associado a hipertensão, colesterol alto, pré-diabetes, apneia do sono ou outra condição relacionada ao excesso de peso.
O tratamento deve ser combinado com mudanças alimentares e aumento da atividade física. O Mounjaro potencializa esses efeitos, mas não os substitui.
Contraindicações importantes
Sendo a bula, o Mounjaro não é indicado para:
- Pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2), condição genética que afeta glândulas endócrinas.
- Em pessoas que já tiverem pancreatite é necessário cautela e avaliação médica.
- O uso não é recomendado durante a gestação ou a amamentação. Desde junho de 2025, a compra exige receita médica com retenção na farmácia.
O que lembrar
- A KwikPen é a versão multidose do Mounjaro aprovada pela Anvisa em 18 de março de 2026: uma caneta para o mês inteiro, com a mesma tirzepatida e a mesma eficácia das canetas individuais.
- A data de chegada às farmácias ainda não foi divulgada pela Eli Lilly Brasil.
- O escalonamento gradual de doses a cada quatro semanas não é excesso de cautela: é o que o SURMOUNT-1 mostrou reduzir efeitos colaterais e aumentar adesão ao tratamento.
- A dose mais alta não é automaticamente a melhor. A dose ideal é a maior dose tolerada com conforto, e quem define isso é o médico.
- Náuseas e desconforto digestivo são os efeitos mais comuns, especialmente no início e nas mudanças de dose. A taxa de abandono por efeitos adversos nos ensaios foi de cerca de 6,6%.
- O Mounjaro não funciona isolado: alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico são parte essencial do tratamento.



