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GLP-1: como ele ajuda no tratamento da obesidade

Como funciona, para quem é indicado e o que os estudos mostram sobre sua eficácia.

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Aprovado por:

Time Clínico Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 14 de junho de 2026
Tempo de leitura: 7min
Aviso importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.​​​​‌‍​‍​‍‌‍ ‌​‍‌‍‍‌‌‍‌‌‍‍‌‌‍‍​‍​‍​‍‍​‍​‍‌​‌‍​‌‌‍‍‌‍‍‌‌‌​‌‍‌​‍‍‌‍‍‌‌‍ ​‍​‍​‍​​‍​‍‌‍‍​‌​‍‌‍‌‌‌‍‌‍​‍​‍​‍‍​‍​‍‌‍‍​‌‌​‌‌​‌​​‌​​‍‍​‍​‍ ‌‍‌‌‍​‌‌‍‍‌‌‌‌‍​‌‌‍​​‍‌‌​‌‍​‌‌‍‍‌‍‍‌‌‌​‌‍‌​‍‌‌​‌‌​‌‌‌‌‍‌​‌‍‍‌‌‍ ​‍‍‌‌‍‌‍‌‌‌​‍‌‍​‌‍‌‌‌‍​​‍‍‌‍​‌‌​​‌​​​‍

Os medicamentos agonistas de GLP-1 dominaram as conversas sobre tratamento de obesidade e diabetes nos últimos anos, e isso tem explicação.

Estudos clínicos vêm mostrando resultados consistentes tanto no controle da glicemia quanto na perda de peso, e a ciência por trás deles é mais interessante do que o ruído em torno das canetas sugere.

Vale entender o que são esses medicamentos de fato, como agem no corpo e, principalmente, para quem eles são indicados. É o que este texto percorre, do hormônio natural até as regras mais recentes de prescrição no Brasil.

Começando pelo principal: o que é o GLP-1

GLP-1 é a sigla de glucagon-like peptide-1, ou peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1. Trata-se de um hormônio que o próprio corpo produz nas células do intestino e que tem papel central na regulação do apetite e da glicemia.

O funcionamento é simples de entender. Quando você come, o intestino libera GLP-1, que sinaliza ao cérebro a sensação de saciedade, estimula o pâncreas a produzir insulina apenas quando a glicose está elevada e reduz a liberação de glucagon, o hormônio que empurra o açúcar do sangue para cima.

O detalhe que limita seu uso direto é a duração: o GLP-1 natural é degradado em poucos minutos.

GLP-1 natural e medicamentos agonistas de GLP-1

Os medicamentos agonistas de GLP-1 são versões sintéticas que imitam o hormônio natural com uma diferença que muda tudo: duram muito mais no organismo.

Alguns permanecem ativos por horas, no caso dos de uso diário, e outros por dias, no caso dos semanais. Essa durabilidade é o que permite manter o efeito ao longo do dia ou da semana, dependendo da formulação.

Principais medicamentos GLP-1 disponíveis no Brasil

Alguns nomes ficaram conhecidos, como Mounjaro, Ozempic e Wegovy, mas a lista de agonistas de GLP-1 aprovados pela Anvisa é maior. Vale conhecer a relação entre princípio ativo e medicamento.

  • Liraglutida (Victoza, Saxenda): aplicação diária.
  • Semaglutida (Ozempic, Wegovy, Rybelsus): injetável semanal ou oral diária.
  • Dulaglutida (Trulicity): semanal.
  • Exenatida (Byetta, Bydureon): diária ou semanal.
  • Lixisenatida (Soliqua): diária.
  • Tirzepatida (Mounjaro): semanal, tecnicamente um agonista duplo GLP-1/GIP.

Cada um tem características próprias de dosagem, via de administração e perfil de efeitos. A escolha depende de fatores individuais que só uma avaliação médica consegue ponderar.

Semaglutida com indicações diferentes

Vale uma observação sobre as versões similares de semaglutida que já chegaram ao mercado brasileiro, como o Ozivy.

Ele tem validação regulatória da Anvisa, mas, diferentemente do Ozempic e do Wegovy, não possui estudos clínicos próprios publicados de forma independente. Por isso, os dados de eficácia citados ao longo deste texto vêm das marcas de referência, e não desses similares.

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Como o GLP-1 funciona no organismo

Os agonistas de GLP-1 atuam em vários pontos do corpo ao mesmo tempo, e é essa ação combinada que explica a eficácia.

Controle da saciedade

O efeito mais conhecido é sobre o apetite. Esses medicamentos agem no cérebro, nas áreas que regulam fome e saciedade, e o resultado aparece na prática: muita gente em tratamento relata sentir menos fome e se satisfazer com porções menores.

Não é uma questão de força de vontade, e sim uma mudança biológica mensurável na forma como o corpo sinaliza que já comeu o suficiente.

Regulação da glicemia

Para quem tem diabetes tipo 2, há um benefício adicional importante. Os agonistas de GLP-1 estimulam o pâncreas a produzir insulina, mas só quando a glicose está elevada.

Essa característica glicose-dependente reduz o risco de hipoglicemia, a queda perigosa do açúcar no sangue, sobretudo quando comparados à insulina tradicional. Além disso, esses medicamentos suprimem a liberação de glucagon e diminuem a produção de glicose pelo fígado.

Vale uma distinção que confunde muita gente. Insulina e GLP-1 cumprem papéis diferentes no corpo, e a ideia de usar insulina para emagrecer parte justamente dessa confusão, que merece atenção porque envolve riscos reais.

Efeito no esvaziamento gástrico

Os agonistas de GLP-1 também retardam o esvaziamento gástrico, ou seja, a comida permanece mais tempo no estômago antes de seguir para o intestino. Isso prolonga a saciedade e ajuda a controlar os picos de glicose depois das refeições.

Esse mesmo efeito tem uma implicação prática relevante, já que aumenta o risco de aspiração durante procedimentos com anestesia, assunto que retomamos adiante.

Para quem os medicamentos GLP-1 são indicados

Aqui mora um ponto que costuma se perder no entusiasmo das redes. Nem todo mundo que deseja emagrecer tem indicação para usar esses medicamentos. A avaliação médica é essencial, não apenas porque a receita é obrigatória, mas porque ela define a segurança e a eficácia do tratamento.

Indicações médicas aprovadas

Segundo as diretrizes brasileiras (ABESO, SBEM, SBD) e as aprovações da Anvisa, os agonistas de GLP-1 são indicados para alguns cenários bem definidos.

  • Diabetes tipo 2, especialmente quando outros tratamentos não controlaram a glicemia ou quando há risco cardiovascular moderado a alto.
  • Obesidade, com IMC igual ou acima de 30 kg/m².
  • Sobrepeso com comorbidades, com IMC igual ou acima de 27 kg/m² na presença de hipertensão, dislipidemia, pré-diabetes ou doença cardiovascular.

As sociedades médicas brasileiras têm sido firmes nesse recado. Esses medicamentos não foram pensados para uso estético ou para quem quer perder poucos quilos sem indicação clínica. A obesidade é uma doença crônica e o tratamento parte desse entendimento.

Quando o GLP-1 não deve ser usado

Existem contraindicações absolutas. Os agonistas de GLP-1 não devem ser usados por pessoas com algumas condições específicas.

  • Histórico pessoal ou familiar de câncer medular de tireoide.
  • Síndrome de Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2 (MEN2).
  • Alergia grave conhecida a qualquer componente do medicamento.
  • Gravidez, já que a segurança não foi estabelecida.

Outros grupos pedem cautela e monitoramento mais próximo, como pessoas com histórico de pancreatite, doença biliar, problemas renais graves ou transtornos alimentares.

Resultados: o que esperar do tratamento

Os números importam, e eles existem em quantidade. Vale guardar uma ressalva antes de olhar para eles, porque a resposta individual sempre varia.

Uma meta-análise publicada em 2025 na Diabetes Care reuniu dados de 47 estudos clínicos randomizados, com mais de 23 mil participantes. Em comparação com placebo, os agonistas de GLP-1 produziram reduções médias relevantes.

  • Redução média de peso de 4,57 kg.
  • Redução média de IMC de 2,07 kg/m².
  • Redução média de circunferência da cintura de 4,55 cm.

São valores médios, e a dispersão é grande. Algumas pessoas perderam bem mais, outras bem menos.

Em estudos específicos com doses mais altas de semaglutida, 2,4 mg por semana, as perdas médias chegaram a 15% a 16,9% do peso inicial ao longo de 68 semanas, sempre combinadas com dieta hipocalórica e atividade física.

Para dar dimensão, entre os pacientes tratados com agonistas de GLP-1 cerca de metade alcançou perda de pelo menos 5% do peso corporal, contra 17% no grupo placebo. Perda de 10% ou mais apareceu em 17,5% dos tratados, ante 3,1% do placebo.

Wegovy 7,2 mg: a dose mais alta aprovada em 2026

O cenário ganhou um capítulo novo em maio de 2026, quando a Anvisa aprovou a dose de 7,2 mg semanais da semaglutida (Wegovy). Com base no estudo STEP UP, essa dose levou a uma perda média em torno de 21% do peso, e cerca de um em cada três participantes atingiu 25% ou mais de redução.

É uma opção de intensificação, pensada para adultos com obesidade que não responderam adequadamente à dose de 2,4 mg, e não substitui a dose padrão. Quem quiser se aprofundar pode ver o detalhamento em

Benefícios que vão além do emagrecimento

Os agonistas de GLP-1 não mexem só com o peso. Há evidência de benefício cardiovascular, com redução de eventos como infarto e AVC em pacientes de alto risco, além de melhora em marcadores metabólicos como pressão arterial e perfil lipídico, e possíveis efeitos protetores no fígado e nos rins.

A semaglutida se tornou, em março de 2024, o primeiro medicamento para perda de peso aprovado pela FDA americana com indicação específica para reduzir risco cardiovascular em pessoas com obesidade ou sobrepeso e doença cardiovascular estabelecida. No Brasil, a Anvisa também ampliou a indicação do Wegovy para redução desse risco.

No estudo SELECT, com mais de 17.600 participantes, a semaglutida reduziu em 20% o risco de eventos cardiovasculares graves frente ao placebo. Os eventos ocorreram em 6,5% de quem recebeu semaglutida, contra 8% no grupo placebo.

Tempo de tratamento e manutenção

Uma verdade precisa ser dita com clareza. A obesidade é uma condição crônica e, como outras doenças crônicas, costuma exigir tratamento de longo prazo.

Quando as pessoas interrompem os agonistas de GLP-1, há reganho de peso. Uma meta-análise de 2025 publicada na Obesity Reviews encontrou recuperação média de peso após a parada.

  • 2,20 kg após interromper a liraglutida.
  • 9,69 kg após interromper a semaglutida ou a tirzepatida.

A quantidade recuperada foi proporcional ao que havia sido perdido.

No estudo STEP 1, quem interrompeu a semaglutida recuperou cerca de dois terços do peso perdido em um ano. Outro estudo publicado na Lancet eClinicalMedicine em 2025 confirmou ganho de peso médio de 5,63 kg após a descontinuação, com piora em vários parâmetros cardiometabólicos.

Diferença do acompanhamento

Isso não significa que o medicamento será necessário para sempre, mas mostra que a decisão de quando e se parar precisa ser construída com a equipe médica, apoiada em estratégias estruturadas de manutenção.

  • Continuidade do acompanhamento nutricional.
  • Manutenção ou intensificação da atividade física.
  • Estratégias comportamentais já consolidadas.
  • Monitoramento regular do peso e dos parâmetros metabólicos.
  • Possível transição para doses menores ou esquemas intermitentes, sob orientação médica.

A obesidade não é uma condição que se trata e se encerra. Ela se gerencia ao longo do tempo, como diabetes ou hipertensão, e o tratamento com GLP-1 é uma ferramenta dentro dessa gestão contínua.

Para quem pesa essa escolha entre caminhos, vale comparar com a cirurgia bariátrica, que tem indicações próprias.

Cuidados antes de cirurgias

Em setembro de 2024, a Anvisa emitiu um alerta sobre o risco de aspiração e pneumonia em pacientes que usam agonistas de GLP-1 e vão passar por anestesia ou sedação profunda.

O retardo no esvaziamento gástrico significa que pode haver mais conteúdo no estômago do que o esperado, o que aumenta o risco de aspiração pulmonar durante o procedimento.

Diretrizes de 2025 da Sociedade Brasileira de Diabetes, em conjunto com a ABESO e a Sociedade Brasileira de Anestesiologia, recomendam considerar a suspensão do medicamento antes de cirurgias, em geral 1 semana antes para as medicações diárias de curta duração e de 2 a 3 semanas para as de ação prolongada.

Se você usa um agonista de GLP-1 e tem cirurgia ou exame com sedação marcado, informe sempre a equipe médica. Essa informação muda a conduta.

GLP-1 no Brasil: o que mudou nos últimos anos

O cenário regulatório brasileiro passou por mudanças relevantes a partir de 2025. A Anvisa publicou uma resolução estabelecendo que todos os agonistas de GLP-1 passam a exigir retenção da receita médica na farmácia no momento da compra, em modelo parecido com o dos antibióticos.

Na prática, algumas regras ficaram mais claras.

  • A prescrição deve ser feita em duas vias, uma fica com o paciente e outra é retida pela farmácia.
  • A receita tem validade de até 90 dias.
  • Prescrições por telemedicina são válidas quando assinadas com certificado digital.

A medida respondeu ao aumento expressivo do uso inadequado desses medicamentos, muitas vezes para fins estéticos e sem indicação clínica.

A Anvisa também proibiu produtos importados de GLP-1 sem registro no Brasil e versões manipuladas, num movimento de proteção à saúde de quem busca tratamento.

O que lembrar

  • GLP-1 é um hormônio natural do intestino que regula apetite e glicemia, e os medicamentos da classe imitam essa ação com duração muito maior.
  • A ação combinada sobre saciedade, glicemia e esvaziamento gástrico explica tanto a perda de peso quanto o controle do açúcar no sangue.
  • As indicações são obesidade, sobrepeso com comorbidades e diabetes tipo 2, sempre com avaliação médica e receita retida.
  • Os resultados variam, e a interrupção sem planejamento costuma levar a reganho de peso.
  • Desde 2025 a receita é retida na farmácia, e em 2026 a Anvisa aprovou a dose de 7,2 mg da semaglutida como intensificação.
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Perguntas Frequentes

Referências
icon¹
  1. Wong HJ, Sim B, Teo YH, et al. Efficacy of GLP-1 Receptor Agonists on Weight Loss, BMI, and Waist Circumference for Patients With Obesity or Overweight: A Systematic Review, Meta-analysis, and Meta-regression of 47 Randomized Controlled Trials. Diabetes Carescribble-underline. 2025;48(2):292-300. https://diabetesjournals.org/care/article/48/2/292/157724
icon²
  1. Berg S, Mehlsen M, Vistisen D, et al. Discontinuing glucagon-like peptide-1 receptor agonists and body habitus: A systematic review and meta-analysis. Obesity Reviewsscribble-underline. 2025;26(4):e13929. https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/obr.13929
icon³
  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medicamentos agonistas GLP-1 só poderão ser vendidos com retenção da receita. Abril 2025. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/canetas-emagrecedoras-so-poderao-ser-vendidas-com-retencao-de-receita
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  1. ABESO, SBEM, SBD. Carta Aberta: O uso de agonistas de GLP-1 para fins estéticos. Dezembro 2024. https://abeso.org.br/carta-aberta-o-uso-de-agonistas-de-glp-1-para-fins-esteticos/
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  1. ANVISA. Alerta sobre risco do uso de medicamentos agonistas GLP-1 em pacientes que serão submetidos a anestesia ou sedação profunda. Setembro 2024. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2024/anvisa-alerta-sobre-o-risco-do-uso-de-medicamentos-agonistas-glp-1
icon
  1. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretriz para tratamento da obesidade e prevenção de doença cardiovascular – Ed. 2025. https://diretriz.diabetes.org.br/diretriz-para-tratamento-da-obesidade-e-prevencao-de-doenca-cardiovascular-2/
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Ko A, et al. Risk for Obesity-Related Cancers Following GLP-1 Receptor Agonist Use. Annals of Internal Medicinescribble-underline. Dezembro 2025.

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