Mounjaro precisa de receita? Entenda as regras da Anvisa

Entenda quais as regras da Anvisa para medicamentos para emagrecer

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Aprovado por:

Time Clínico Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 15/04/2026
Tempo de leitura: 5 min

Aviso Importante:

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

Você provavelmente já viu alguém falando sobre usar canetas emagrecedoras sem receita, como se fosse algo simples. Mas a realidade é bem diferente: o uso sem acompanhamento médico cresceu tanto que a Anvisa precisou endurecer as regras no Brasil.

Não só o Mounjaro, mas todas as canetas emagrecedoras ganharam popularidade por ajudarem na perda de peso, mas não são “atalhos” seguros.

O que mudou nas regras da Anvisa para canetas emagrecedoras

Se antes já era necessário ter prescrição, agora o controle ficou muito mais rigoroso e rastreável.

Desde junho de 2025, medicamentos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida passaram a seguir um modelo mais próximo ao de medicamentos controlados, com regras que dificultam o uso sem acompanhamento.

Na prática, isso significa:

  • Receita em duas vias, sendo uma retida na farmácia.
  • Validade de 90 dias para a prescrição.
  • Possibilidade de compra para até 3 meses de tratamento.
  • Registro obrigatório da venda no sistema da Anvisa.

Esse controle maior não surgiu por acaso, ele é uma resposta direta ao aumento do uso indiscriminado, principalmente com foco estético e sem avaliação médica.

Por que a Anvisa endureceu o controle desses medicamentos

O alerta não veio de uma única fonte, mas de um conjunto de dados preocupantes que se acumularam nos últimos anos.

Entre 2022 e 2024, houve um aumento expressivo nas notificações de efeitos adversos relacionados a esses medicamentos. Muitos desses casos estavam ligados ao uso sem prescrição ou sem acompanhamento adequado.

Entre os problemas mais relatados estão:

Além disso, dados da própria Anvisa indicam que uma parcela relevante do consumo foi feita por pessoas sem diagnóstico de obesidade ou diabetes, o que reforça o uso fora das indicações.

Aqui vale uma analogia simples: esses medicamentos funcionam como um “ajuste fino” no metabolismo, não como um botão de desligar o apetite. Sem orientação, o risco de desregulação aumenta.

Mounjaro: para quem o uso é indicado

Nem todo mundo que quer emagrecer tem indicação para esse tipo de tratamento, e esse é um dos pontos mais ignorados.

O Mounjaro, por exemplo, tem aprovação para:

  • Diabetes tipo 2
  • Obesidade, em pessoas com IMC ≥30, ou ≥27 com comorbidades

Estudos clínicos robustos, como o SURMOUNT-1, publicado no New England Journal of Medicine, mostraram perda de até 20,9% do peso corporal em 72 semanas.

Mas tem um detalhe importante: todos os participantes tinham acompanhamento estruturado, com orientação alimentar e mudanças de estilo de vida. Sem isso, os resultados são menores e os riscos aumentam.

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Quem pode prescrever canetas emagrecedoras

Aqui não existe margem para interpretação: apenas médicos podem prescrever esse tipo de medicamento.

Na prática, quem mais conduz esse tratamento são:

  • Endocrinologistas
  • Clínicos gerais com experiência em obesidade
  • Médicos de família

Antes da prescrição, o médico avalia fatores como IMC, histórico de saúde, possíveis contraindicações e exames laboratoriais.

Isso inclui investigar condições como histórico de pancreatite ou carcinoma medular de tireoide, além de checar função renal e hepática.

Qual receita é exigida para comprar Mounjaro

Na farmácia, não basta ter o nome do medicamento em mãos, é necessário cumprir critérios específicos.

Para comprar Mounjaro (assim como o Ozempic, Wegovy ou Saxenda) é exigida receita médica de controle especial, em duas vias.

Essa receita precisa conter:

  • Nome completo do paciente
  • Nome do medicamento, dose e quantidade
  • Assinatura e CRM do médico

Ela pode ser física ou digital, desde que tenha validação oficial, como QR code. Outro ponto importante: não é permitido incluir esse tipo de medicamento na mesma receita que psicotrópicos, pois o controle e a retenção seguem regras diferentes.

Efeitos colaterais: por que o risco aumenta sem acompanhamento

Muita gente começa o uso esperando apenas perder peso, mas ignora que o corpo passa por mudanças importantes.

Os efeitos mais comuns incluem náusea, diarreia, constipação, estufamento, azia e dor abdominal. Em geral, são leves e temporários.

O problema é quando a dose não é ajustada corretamente ou quando não há acompanhamento, o que pode aumentar o risco de complicações mais sérias.

É o médico quem define a progressão da dose, monitora sintomas e orienta ajustes. Sem isso, o tratamento deixa de ser controlado e passa a ser um risco.

O que acontece quando o tratamento é interrompido

Muita gente encara o medicamento como uma solução temporária, mas isso não reflete como o tratamento funciona na prática.

O estudo SURMOUNT-4 mostrou que pacientes que continuaram o uso perderam até 25% do peso corporal, enquanto aqueles que interromperam recuperaram cerca de 14%.

Isso acontece porque a obesidade é uma doença crônica. O medicamento ajuda a controlar, mas não resolve sozinho.

Por isso, é essencial pensar no tratamento como um processo contínuo, com acompanhamento e estratégia de longo prazo.

Conclusão: automedicação não é atalho, é risco

Pode parecer tentador buscar resultados rápidos, mas quando se trata de canetas emagrecedoras, pular etapas cobra um preço alto.

Medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy são ferramentas eficazes, mas só funcionam com segurança quando há prescrição e acompanhamento médico.

As novas regras da Anvisa existem para proteger o paciente e garantir que o tratamento seja feito da forma correta.

Se você está considerando esse tipo de tratamento, o melhor caminho continua sendo o mais seguro: conversar com um médico.

Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.

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A Voy é uma plataforma de saúde que faz a gestão de toda a jornada de emagrecimento, conectando pacientes a nutricionistas, endocrinologistas e dando todo suporte na aquisição e manutenção dos tratamentos adequados, de forma segura e prática, 100% online e com suporte de saúde ilimitado.
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Perguntas frequentes

Referências
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Brasil. Ministério da Saúde. VIGITEL 2023 - Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. Brasília, 2024.

icon²

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 855, de 22 de junho de 2025. Dispõe sobre prescrição e dispensação de medicamentos agonistas GLP-1 e GIP/GLP-1. Diário Oficial da União, Brasília, 23 jun 2025.

icon³

Jastreboff AM, Aronne LJ, Ahmad NN, et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. New England Journal of Medicine. 2022;387:205-216. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa220603

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Aronne LJ, Sattar N, Horn DB, et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. JAMA. 2024;331(1):38-48. https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/2812935

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World Health Organization. Physical activity. Fact sheet. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/physical-activity

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Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretrizes Brasileiras de Obesidade 2023. São Paulo: ABESO, 2023. https://abeso.org.br/diretrize