Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
O Ozempic sempre foi caro. Dependendo da dose, o tratamento mensal pode custar entre R$ 929 e R$ 1.308, o que coloca o medicamento fora do alcance de muita gente que teria indicação clínica para usá-lo.
Em 2026, esse cenário começou a mudar de verdade. A patente da semaglutida expirou em março, e em maio a Anvisa aprovou o Ozivy, da EMS, o primeiro medicamento nacional à base de semaglutida.
Outros laboratórios estão em fases distintas de desenvolvimento. O acesso vai aumentar, mas o caminho tem detalhes importantes que vale entender antes de tomar qualquer decisão.
O que é o Ozempic e por que ele é tão caro
O Ozempic é o nome comercial da semaglutida, desenvolvida pela Novo Nordisk e aprovada pela Anvisa em 2018 para tratamento do diabetes tipo 2.
O mecanismo é imitar o GLP-1, um hormônio intestinal que sinaliza saciedade ao cérebro, estimula a liberação de insulina e retarda o esvaziamento do estômago. É exatamente por isso que quem usa o medicamento tende a perder peso.
O preço alto tem uma lógica direta: enquanto a patente estava ativa, a Novo Nordisk era a única empresa autorizada a produzir a molécula. Sem concorrência, os preços ficam onde a empresa quiser que fiquem.
Ozempic e Wegovy são a mesma coisa?
Sim e não. Ambos têm o mesmo princípio ativo, a semaglutida, mas com indicações oficiais diferentes. O Ozempic é aprovado para diabetes tipo 2, em doses de até 1 mg por semana. O Wegovy é aprovado para obesidade e sobrepeso com comorbidades, na dose de 2,4 mg por semana.
Usar Ozempic para emagrecer é uso off-label, ou seja, para uma indicação fora da bula. Não é ilegal, mas a decisão precisa ser sempre médica. Para entender melhor as diferenças entre os dois, veja Wegovy ou Ozempic: qual emagrece mais.
Genérico não é cópia inferior
Antes de qualquer coisa, vale desfazer um mito comum. Medicamentos genéricos contêm o mesmo princípio ativo, na mesma concentração, forma farmacêutica e via de administração do medicamento de referência.
Para ser aprovado pela Anvisa, um genérico precisa provar bioequivalência com o original: mesma absorção, mesma velocidade, mesmo resultado no organismo. Isso está estabelecido na Lei 9.787/1999, o marco regulatório brasileiro para genéricos.
No caso da semaglutida, o que pode variar entre fabricantes são os excipientes, substâncias inativas que compõem a fórmula, e o design da caneta aplicadora. A molécula que faz o trabalho é idêntica.
A patente caiu. E agora?
A estimativa mais realista é que os primeiros genéricos tradicionais cheguem entre o final de 2026 e o início de 2027.
O Ozivy, aprovado em maio de 2026, é um caso à parte: tecnicamente não segue a via regulatória de um genérico clássico, porque usa uma versão sintética da semaglutida em vez da biológica. Na prática, o mecanismo de ação é o mesmo, mas o caminho regulatório foi diferente.
Se quiser entender essa distinção com calma, explica tudo em Ozivy é genérico do Ozempic? Entenda as diferenças.
Quem está desenvolvendo a semaglutida genérica
Várias farmacêuticas já se posicionaram para entrar nesse mercado.
Nacional
No Brasil, a Prati-Donaduzzi anunciou publicamente que está desenvolvendo o genérico, importando matéria-prima da Ásia e dispositivo de aplicação da Europa. A Cimed sinalizou intenção de lançamento o mais rápido possível.
A EMS saiu na frente: em 26 de maio de 2026, a Anvisa aprovou o Ozivy, a primeira semaglutida nacional, com início de vendas previsto para 15 de junho nas principais redes de farmácia.
Vale saber que a aprovação é para diabetes tipo 2, sem indicação para emagrecimento neste registro. Tecnicamente o Ozivy não segue a mesma via regulatória de um genérico tradicional, mas o mecanismo de ação é o mesmo. Entenda a diferença entre o Ozivy e o Ozempic.
Internacional
No mercado internacional, a Biomm, em parceria com a indiana Biocon, anunciou planos para trazer uma versão similar da semaglutida ao Brasil a partir de 2026.
Empresas como Dr. Reddy's e Cipla também estão desenvolvendo versões próprias para mercados globais.
Quanto vai custar o genérico?
A Lei 9.787/1999 obriga que os genéricos custem no mínimo 35% menos do que o medicamento de referência. É uma regra legal, não uma estimativa.
Na prática, a diferença costuma ser maior: pesquisa publicada na Revista de Saúde Pública acompanhou 135 apresentações de genéricos no Brasil e encontrou desconto médio de 40% no lançamento, chegando a 68% nos quatro anos seguintes, conforme a concorrência se amplia.
Aplicando esses dados ao Ozempic, com preço médio atual de R$ 1.000, a estimativa com desconto mínimo legal de 35% ficaria em torno de R$ 650, e com o desconto médio histórico de 60%, em torno de R$ 400. Ainda não é barato, mas representa uma mudança real para quem precisa do tratamento de forma contínua.
Ozivy
O Ozivy, aprovado pela Anvisa em maio de 2026, chegará às farmácias com preço de tabela de R$ 498 por caneta a partir de 15 de junho.
Participantes do programa Vida + Leve, da EMS, pagam R$ 452, e há uma condição especial para quem está começando o tratamento: nos três primeiros meses, o custo mensal é de R$ 287.
O genérico funciona igual?
Sim, desde que aprovado pela Anvisa com bioequivalência comprovada. A eficácia da semaglutida vem da molécula, não do fabricante. Os resultados documentados nos estudos clínicos, incluindo a perda de peso média de 10% a 15% do peso corporal observada nos estudos STEP, são da molécula independentemente de quem a fabrica.
Semaglutida manipulada não é genérico
Enquanto os genéricos legítimos chegam, farmácias de manipulação continuam ofertando semaglutida a preços mais baixos. É um risco real que precisa ser nomeado.
A diferença fundamental entre um genérico aprovado e um produto manipulado é que apenas o genérico passou por todos os testes de segurança e eficácia exigidos pela Anvisa.
Em agosto de 2025, a Anvisa formalizou essa distinção com o Despacho 97/2025, que proibiu a manipulação de semaglutida biológica no Brasil. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia apoiou a medida, classificando-a como necessária para a proteção à saúde pública.
O que isso significa na prática: não há garantia de que a dose anunciada seja a dose real, não há controle sobre a pureza do ingrediente e não há estudos comprovando que o produto funciona.
A única forma segura de usar semaglutida é por meio de medicamentos com registro ativo na Anvisa: Ozempic, Wegovy ou os genéricos aprovados. Veja mais em como identificar Wegovy falsificado ou manipulado.
Cuidado com Ozempic falsificado
Em outubro de 2024, a Novo Nordisk identificou canetas de insulina Fiasp readesivadas com rótulos de Ozempic no Rio de Janeiro, com casos isolados em Brasília, Curitiba, Belo Horizonte e outras cidades.
Em junho do mesmo ano, a Organização Mundial da Saúde emitiu alerta global sobre lotes falsificados detectados no Brasil, no Reino Unido e nos EUA.
Uma pessoa que recebe insulina achando que está tomando semaglutida corre risco sério de hipoglicemia grave. Compre sempre com receita médica, em farmácias de confiança, e verifique a integridade da embalagem antes de aplicar.
O medicamento é parte do tratamento, não o tratamento inteiro
O genérico vai democratizar o acesso ao medicamento, o que é uma mudança real e importante. Mas o que transforma perda de peso temporária em mudança sustentável é o acompanhamento profissional ao longo do tempo.
Os estudos clínicos com semaglutida, incluindo o SELECT com quatro anos de seguimento, sempre associaram o medicamento a mudanças de estilo de vida: dieta com redução calórica e aumento de atividade física.
O que lembrar
- A patente da semaglutida expirou em março de 2026, abrindo caminho para genéricos e similares no Brasil
- O Ozivy, da EMS, foi aprovado pela Anvisa em maio de 2026 e chega às farmácias a partir de 15 de junho, a R$ 498 por caneta, com condições especiais para novos pacientes
- A aprovação do Ozivy é para diabetes tipo 2. Para emagrecimento, Wegovy e Mounjaro continuam sendo as únicas opções com indicação aprovada pela Anvisa
- Genéricos precisam provar bioequivalência com o original antes de serem aprovados. A eficácia da molécula não depende do fabricante
- Semaglutida manipulada não é genérico e não passou pelos testes exigidos pela Anvisa. O risco é inteiramente do paciente
- A estimativa para os próximos lançamentos de genéricos é o final de 2026 ou início de 2027



