Semaglutida genérica em 2026: se informe aqui

Entenda o que é a semaglutida genérica e quando elas poderá ser prescrita.

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Aprovado por:

Time de Saúde Voy

Escrito com base em estudos científicos
Atualizado em 27/06/2026
Este artigo será atualizado a cada nova movimentação da Anvisa.

Semaglutida: o que se sabe até agora

  • Patente expirada: a patente da semaglutida expirou no Brasil em 20 de março de 2026.
  • Primeiro registro aprovado: Ozivy (EMS), aprovado pela Anvisa em 26 de maio de 2026 para diabetes tipo 2.
  • Em análise: Anvisa tem 17 pedidos de registro de semaglutida em avaliação.
  • Próxima previsão: similar para obesidade (equivalente ao Wegovy) esperado para final de 2026 ou início de 2027.
Aviso Importante

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde. ​‍

Por quase duas décadas, a Novo Nordisk teve exclusividade sobre a semaglutida, o princípio ativo por trás de dois dos medicamentos mais buscados do Brasil: o Ozempic, para diabetes tipo 2, e o Wegovy, para obesidade. Em 20 de março de 2026, essa exclusividade acabou.

E em 26 de maio de 2026, a Anvisa aprovou o Ozivy, da EMS: o primeiro medicamento nacional independente à base de semaglutida. Dezenas de outros laboratórios brasileiros e internacionais ainda aguardam análise. É uma das maiores transformações no mercado farmacêutico nacional em anos.

Mas entender o que é a semaglutida genérica, e o que ela não é, é o passo mais importante antes de qualquer decisão.

O que é a semaglutida e como ela funciona

Para entender o que muda com os similares, é preciso entender primeiro o que é a semaglutida em si. Não é um emagrecedor simples, nem um antidiabético comum. É uma molécula que age num sistema hormonal que o corpo já usa, amplificando um sinal que já existe.

A semaglutida é um agonista do receptor GLP-1, um hormônio natural que o corpo produz após as refeições. Quando injetada, ela imita a ação desse hormônio: aumenta a sensação de saciedade, reduz o apetite e retarda o esvaziamento gástrico.

No caso do diabetes tipo 2, esses efeitos ajudam a controlar a glicemia ao estimular a produção de insulina somente quando necessário. No caso da obesidade, o impacto sobre o apetite e a saciedade resulta em perda de peso expressiva e sustentada. É a mesma molécula nos dois casos. O que muda é a dose, a indicação aprovada e o nome do produto.

Semaglutida genérica não é um produto único

Esse é o ponto que mais confunde, e merece atenção antes de qualquer outra informação.

A semaglutida genérica não é uma coisa só. Cada fabricante, para cada indicação e dose, precisa registrar seu produto individualmente junto à Anvisa. Um similar aprovado para diabetes não substitui automaticamente o Wegovy para obesidade. São registros distintos, bulas distintas e processos regulatórios distintos.

Os três medicamentos com semaglutida aprovados no Brasil são o Ozempic (injetável, para diabetes), o Wegovy (injetável, para obesidade e sobrepeso com comorbidades) e o Rybelsus (comprimido oral, para diabetes). Todos usam a mesma molécula. Nenhum substitui o outro automaticamente.

Quando a semaglutida genérica chega às farmácias

O fim da patente é o ponto de partida, não de chegada. Cada fabricante ainda precisa de aprovação individual da Anvisa antes de colocar qualquer produto no mercado. A agência analisa qualidade, segurança e equivalência terapêutica de cada dossiê. Não é automático.

Pelo menos 17 pedidos de registro aguardam análise. Os dossiês mais avançados pertencem à EMS, Ávita Care e Megalabs. A EMS tem uma vantagem logística clara: já opera, na mesma fábrica em Hortolândia (SP), a linha de produção dos similares da liraglutida, molécula análoga lançada com sucesso em 2025.

Para o similar específico do Wegovy (indicação de obesidade, doses progressivamente mais altas), o processo é mais longo. Estudos clínicos específicos para essa população são necessários. A estimativa mais realista: final de 2026 ou início de 2027.

Primeiro registro aprovado: o Ozivy da EMS

Em 26 de maio de 2026, a Anvisa aprovou o Ozivy, da EMS, pela Resolução 2.122/2026: o primeiro medicamento nacional independente à base de semaglutida após o fim da patente.

A indicação aprovada é para diabetes tipo 2 — o mesmo que o Ozempic. Não há indicação para emagrecimento nesta aprovação. Para que o Ozivy possa ser usado para obesidade, a EMS precisaria submeter processo de registro separado com doses e estudos próprios.

O Ozivy usa semaglutida sintética, produzida por síntese química, enquanto o Ozempic usa semaglutida biológica. Essa distinção tem implicações regulatórias relevantes: entenda a diferença completa aqui.

A EMS ainda não divulgou preço nem data de disponibilidade nas farmácias. Esta seção será atualizada quando essas informações forem confirmadas.

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Quanto vai custar a semaglutida genérica

O preço é a questão que mais mobiliza pacientes, e com razão. Para milhões de brasileiros, o custo atual do Ozempic e do Wegovy é simplesmente inacessível.

A legislação brasileira exige que um genérico custe, no mínimo, 35% menos que o medicamento de referência. Na prática, o histórico mostra que a queda costuma ser maior quando vários fabricantes competem.

Projeções do BTG Pactual e da consultoria IQVIA estimam reduções de 50% a 60% em até dois anos após o fim da exclusividade. Com o Ozempic custando em torno de R$ 1.000 e o Wegovy em torno de R$ 1.700, isso representa preços que podem cair para a faixa de R$ 400 a R$ 850, dependendo do produto.

A Índia já dá uma ideia do que pode acontecer. A Natco Pharma lançou sua versão genérica por cerca de R$ 75 por mês. Pesquisadores da Universidade de Liverpool estimam que o custo de produção poderia viabilizar preços ainda menores em mercados muito competitivos. No Brasil, o piso regulatório é mais alto, mas a direção é a mesma.

O que aprendemos com a liraglutida

A molécula análoga perdeu a patente no Brasil no fim de 2024, e o que aconteceu em seguida oferece uma projeção concreta do que esperar com a semaglutida.

Em agosto de 2025, quando a EMS lançou os similares Olire e Liruz, as vendas totais de liraglutida cresceram 154,5% no primeiro mês. O produto original não sumiu. O mercado cresceu, absorvendo uma demanda que antes não tinha como se concretizar pelo preço alto.

Com a semaglutida, a demanda reprimida é ainda maior.

É tão segura e eficaz quanto o Ozempic e o Wegovy originais?

Essa é a pergunta mais importante para quem está considerando fazer a troca. A resposta é: sim, desde que aprovada pela Anvisa. Sem essa aprovação, o produto não pode ser vendido legalmente no Brasil.

O registro como similar exige comprovação de equivalência terapêutica: mesma molécula, mesma taxa de absorção, mesma ação no organismo. A diferença entre a versão similar e o original está nos excipientes (substâncias inativas) e no design da embalagem, não na molécula que age.

No caso específico do Ozivy, por ser semaglutida sintética e não biológica, a via regulatória é de desenvolvimento abreviado de medicamento novo, com exigências específicas de qualidade, eficácia e segurança. A Anvisa também monitora todos os medicamentos registrados após o lançamento, por meio do sistema de farmacovigilância.

O que não tem garantia de segurança: semaglutida manipulada sem registro e produtos paraguaios proibidos como Lipoless e Tirzec. Saiba como identificar produtos falsificados ou irregulares.

Semaglutida genérica e o SUS

Uma das esperanças que acompanha a queda da patente é a eventual incorporação da semaglutida no SUS. Por enquanto, o SUS não fornece Ozempic, Wegovy nem similares para obesidade. O acesso público se limita a acompanhamento multidisciplinar (endocrinologista, nutricionista, psicólogo) e cirurgia bariátrica para casos específicos.

A incorporação de um medicamento no SUS passa pelo processo de avaliação de tecnologias em saúde da CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), que considera custo-efetividade e impacto orçamentário. Com os similares trazendo preços potencialmente 50% a 60% menores, o cenário econômico melhora, mas o processo de avaliação e incorporação é técnico, demorado e independente da queda da patente.

O Ministério da Saúde já solicitou prioridade à Anvisa na análise dos pedidos de registro de semaglutida, o que sinaliza interesse governamental no tema. No curto prazo, porém, não há previsão de oferta pelo sistema público.

O que fazer quem já usa Ozempic ou Wegovy

A chegada dos similares não significa troca automática. Para quem já está em tratamento e tendo bons resultados, a orientação é manter o medicamento atual até que o médico avalie se e quando faz sentido migrar.

Pontos importantes para quem considera a troca:

  • Espere o médico avaliar: os similares também precisarão de prescrição médica. Troca sem avaliação profissional pode comprometer a continuidade do tratamento
  • Indicações podem diferir: um similar aprovado para diabetes não cobre a indicação de obesidade. Confirme qual indicação consta na receita
  • Monitore a resposta: qualquer troca de medicamento merece acompanhamento nos primeiros meses para verificar que a resposta clínica se mantém
  • Evite produtos sem registro: semaglutida manipulada e produtos paraguaios continuam proibidos ou sem garantia regulatória, independentemente da queda da patente

O que lembrar

  • A patente da semaglutida expirou em 20 de março de 2026; o mercado está em transição
  • O Ozivy (EMS) foi o primeiro similar nacional aprovado, em 26 de maio de 2026, para diabetes tipo 2
  • Semaglutida genérica não é um produto único: cada fabricante, dose e indicação precisam de registro próprio na Anvisa. Entenda por que o Ozivy não é um genérico do Ozempic
  • Wegovy e Ozempic continuam sendo os produtos de referência; o Ozivy é alternativa para o Ozempic no diabetes, não para o Wegovy na obesidade
  • Similar para obesidade ainda não foi aprovado; previsão para final de 2026 ou início de 2027
  • A concorrência que começa agora tende a reduzir preços 35% a 60% ao longo do tempo
  • No SUS, não há previsão de incorporação no curto prazo; o processo de avaliação é independente da queda da patente
  • Troca de medicamento deve sempre passar pelo médico: os similares também exigem prescrição

Para saber se há indicação de algum tratamento para emagrecer, a Voy Saúde disponibiliza acesso a médicos para uma avaliação online no site www.voysaude.com.

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