
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
No dia 4 de maio de 2026, a Anvisa aprovou o Wegovy 7,2 mg de semaglutida como nova opção de dose de manutenção para adultos com obesidade que não alcançaram resposta adequada com a dose padrão de 2,4 mg.
A novidade não representa uma mudança no tratamento da maioria dos pacientes, mas abre uma possibilidade clínica relevante para um grupo específico, com critérios de indicação bem definidos.
O que a Anvisa aprovou sobre o Wegovy 7,2 mg
A Resolução RE n° 1.747/2026 prevê a possibilidade de utilizar até 7,2 mg de semaglutida por semana como dose de manutenção.
Na prática, isso corresponde à aplicação de três injeções consecutivas de 2,4 mg (o produto já comercializado no Brasil), após o paciente ter permanecido na dose de 2,4 mg por pelo menos quatro semanas.
Vale deixar claro: a dose de 7,2 mg não substitui a dose padrão. Ela foi aprovada como uma intensificação terapêutica excepcional, com critérios definidos, e não como uma evolução natural do esquema posológico para todos os pacientes. Se a dose mais alta não produzir benefício adicional ou causar efeitos adversos relevantes, o protocolo prevê retorno à dose de 2,4 mg.
Quem pode usar a dose de 7,2 mg de semaglutida
A aprovação é restrita a adultos com obesidade, definida como IMC igual ou maior que 30 kg/m², que não tenham alcançado resposta clínica adequada com 2,4 mg de semaglutida.
Não existe margem de interpretação nesse critério: pessoas com sobrepeso (IMC entre 27 e 30 kg/m²), mesmo na presença de comorbidades como hipertensão ou diabetes, estão explicitamente fora da indicação aprovada. Essa população não foi avaliada nos estudos que embasaram a decisão regulatória, e a Anvisa foi direta sobre isso.
A avaliação de quem tem ou não resposta clínica adequada, e a decisão de escalonar a dose, são atribuições do médico responsável pelo tratamento. Ajustar a dose por conta própria não é apenas ineficaz — tem riscos reais, como explicamos no artigo sobre os riscos da automedicação com canetas emagrecedoras.
Quanto peso se perde com a dose de 7,2 mg
A base científica da aprovação vem dos ensaios clínicos STEP UP e STEP UP T2D, publicados no The Lancet Diabetes & Endocrinology em setembro de 2025. Ambos foram realizados com adultos com obesidade ,com e sem diabetes tipo 2.
No STEP UP, que incluiu 1.407 adultos sem diabetes, a dose de 7,2 mg levou a uma perda média de 18,7% do peso corporal em 72 semanas. Com a dose de 2,4 mg, a perda foi de cerca de 16%. Além disso, aproximadamente 31% dos participantes na dose mais alta perderam 25% ou mais do peso.
São resultados relevantes, mas vale colocar em perspectiva: o ganho adicional em relação à dose já aprovada existe, mas não acontece da mesma forma para todo mundo. Para muitas pessoas, essa diferença extra foi mais discreta.
Se quiser entender melhor o que esperar na prática, vale a leitura deste conteúdo: Quantos quilos a semaglutida faz perder por semana
Já no STEP UP T2D, com adultos que tinham obesidade e diabetes tipo 2, a perda média com 7,2 mg foi de cerca de 13%, contra aproximadamente 10% com 2,4 mg, além de melhora nos níveis de glicose no sangue.
Quais são os efeitos colaterais da dose alta de Wegovy
O perfil de segurança da dose de 7,2 mg seguiu o padrão já conhecido da classe dos agonistas de GLP-1, como a semaglutida e outros medicamentos do grupo agonistas de GLP-1.
Os efeitos mais comuns foram gastrointestinais, especialmente náuseas e desconforto digestivo. Em geral, esses sintomas foram leves a moderados e tendem a diminuir com o tempo, à medida que o organismo se adapta ao tratamento.
Um ponto novo que merece atenção foi o aumento de alterações na sensibilidade da pele, como formigamento, sensação de ardor ou pequenos choques. Nos estudos, esse efeito foi observado em cerca de 19% a 23% dos participantes que usaram 7,2 mg, contra 5% a 6% com 2,4 mg e menos de 1% no grupo placebo.
Não se trata de um efeito grave, mas é mais frequente nessa dose e não havia sido tão destacado em estudos anteriores. Por isso, reforça-se a importância de acompanhamento médico contínuo e monitoramento de eventos adversos durante o uso.



